quarta-feira, 3 de março de 2010


Mudam- se os tempos, mudam- se as vontades,
Muda- se o ser, muda- se a confiança;
Todo mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidadades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem ( se algum houve), as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria, e, em mim,
Converte em choro o doce canto.
E afora este mudar- se cada dia, outra mudança faz,
De mor espanto, que não se muda já como soía.

Belíssima poesia de Luís Vaz de Camões. Uma ótima viagem até o século XII, período do Renascimento, para as páginas do blog - séc XXI.